Um Fogo, um Chamado

É provável que Moisés estivesse acostumado a ver como o fogo consumia os arbustos no deserto, mas, para sua surpresa, viu uma sarça-ardente que não se consumia! Ele esperava ver as suas ramas a consumirem-se, mas a árvore, no entanto, permanecia intacta!

O tempo foi passando e ele continuou a observar que a árvore não se consumia. Então ele como considerava que isso era um fenómeno, decidiu subir a montanha para ver "porque a sarça não se queimava." Deus usou este evento para chamar a atenção do Seu servo.

De lá, Deus ordenou que ele seria o homem que conduziria o Seu povo, do cativeiro à liberdade. Foi ali que Deus se manifestou como o Filho de Deus na pessoa do Anjo do Senhor. Foi aí que ele ouviu Deus dizer que ele tinha de tirar os sapatos dos seus pés, porque o lugar onde estava, era terra santa.

Mas o que estrava por detrás desse fenómeno? Que figura estava escondida atrás daquele arbusto não foi consumido? Bem, isso é a nossa mensagem de hoje. A árvore sem consumir-se é um tipo de alguma coisa. E qual é o antítipo?

O tipo é a imagem ou a representação de alguma coisa que vai acontecer no futuro. O antítipo é a realidade da coisa da qual o tipo é a representação. O tipo pode ser chamado de ‘sombra’, e o antítipo de ‘realidade’.

  1. A SARÇA SEM CONSUMIR-SE TIPIFICA A IGREJA COM O SENHOR NO MEIO DELA 
  1. A igreja, o "monte de Deus" (v. 1). A figura deste texto é muito bonita. Moisés era então, um empregado do seu sogro Jetro. 

Aquele que poderia ser um príncipe do grande império egípcio, aparecia como um humilde pastor de ovelhas nas regiões do Sinai! Esta palavra confirma a escritura do autor da epístola de Hebreus 11:24-26, quando disse que “Moisés preferiu escolher os vitupérios de Cristo, em vez de desfrutar dos prazeres fugazes do pecado”. E isso devia-se ao facto de Moisés estar no "Monte de Deus".

Essa montanha era Horeb e era também o Sinai. O que iria acontecer ali? Bom, esse seria o lugar onde mais tarde Deus daria a Moisés as Tábuas da Lei e onde Deus manifestaria a Sua glória através do Fogo! 

O facto de mencionar o Monte Horeb como Monte de Deus é porque Deus está ali no meio dele! Isso não foi um acaso, porque mais tarde a glória de Deus se manifestou-se no Tabernáculo, e depois no Templo, e por último, na Igreja de Deus. 

Um dia Jesus veio em carne, e desde então, essa glória tem sido manifesta na Igreja, e é suposto Jesus estar na Igreja e ser esperado pela Igreja.

  1. O Senhor no meio do fogo (v. 2). Agora vejamos isto! Moisés aproximou-se do arbusto que estava coberto com fogo e não se consumia. Mas, para sua maior surpresa, da árvore vinha uma Voz que ainda o deixou mais aterrorizado. Moisés nunca tinha visto Deus nem ouvido a Sua voz antes, (como tinha acontecido com os seus antepassados).
  2. Moisés ouviu uma voz aprazível no meio da sarça. As vozes que surgem do meio do fogo costumam ser de terror, mas quem estava ali a falar-lhe? Ele apercebeu-se de que era o Anjo do Senhor! E todos nós sabemos que o Anjo do Senhor era a Presença do Cristo antes da Sua encarnação. É o que é conhecido como uma teofania. A Presença do Senhor no meio do arbusto que não se queimava é um tipo da Presença de Cristo no meio da Sua Igreja. 

(Teofania é um conceito de cunho teológico que significa a manifestação de Deus em algum lugar, coisa ou pessoa. Tem a sua etimologia enraizada na língua grega: "theophaneia" ou "theophania". É uma revelação ou manifestação sensível da glória de Deus, ou através de um anjo, algo surreal ou através de fenómenos impressionantes da natureza, também chamada de aparição. Numa teofania, Deus usa esse método para aparecer a alguém em especial, para mostrar ou revelar factos do presente ou do futuro).

Esta figura é extraordinária, pois faz-nos ver não só a glória de Deus manifesta no fogo, mas também o Senhor no meio dele! Isso manifesta a Sua promessa de estar com a Igreja até à Sua vinda. João foi o que melhor capturou essa figura quando ele viu o Filho do homem no meio dos Sete Castiçais, símbolos da igreja, andando entre eles, “Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”. (Apocalipse 1:20). Jesus está no meio da Sua Igreja!

II. A SARÇA SEM SE CONSUMIR TIPIFICA A IGREJA QUE JAMAIS SERÁ DESTRUÍDA

1. O fogo de Deus não se apaga (v. 2b). A maravilha deste fenómeno visto por Moisés, era que a sarça ardia e não se consumia. Aqui estão verdades ocultas, tipo que demandam o seu cumprimento nalgum momento da história. Há uma verdade que atravessa todas as Escrituras a respeito desta figura aqui, sobre o fogo que não se extingue. Quando Deus ordenou a construção do Tabernáculo, uma das primeiras coisas que Ele ordenou aos Seus servos desses lugares sagrados, foi "O fogo se conservará continuamente aceso sobre o altar; não se apagará! (Levítico 6:13). A mesma recomendação foi feita para o Templo. Esta figura nos lembra que Deus é Luz e não há trevas Nele!

Também nos faz lembrar que nós somos luz, e que devemos estar sempre a brilhar como o sol e como as estrelas. Nenhuma dessas estrelas desligam a sua luz. O fogo de Deus jamais se consumirá! Isto é o que o Senhor diz da Sua igreja também. O fogo não consumido tipifica a Igreja na sua tarefa de ser uma luz para as nações, e o Espírito Santo ser o Azeite que sustenta o Fogo. (Não sejas como uma virgem insensata! Que o Senhor encontre sempre azeite em ti!) 

2. A obra de Deus não se destrói (v. 3). O outro elemento que interessa analisar aqui é ver como o fogo não destrói o arbusto. Nisto há um grande simbolismo. 

Há momentos em que o fogo de Deus destrói. As cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas pelo fogo de Deus, e foram reduzidas a cinzas! O fogo de Deus também consumiu o sacrifício que Elias fez quando ele desafiou os profetas de Baal.

No final do Tempo, o fogo de Deus virá como um Fogo Purificador da Terra, uma vez que este mundo será destruído pelo fogo, e haverá uma Nova Terra. (2 Pedro 3: 7-10). No entanto, apesar do Fogo de Deus que destrói, podemos também ver na tipologia do Fogo de Deus na sarça-ardente que ele não a consumia. Esta figura lembra-nos que a Igreja de Deus não será destruída! E isso confirma o que Jesus disse, que nem os "portas do Hades prevalecerão contra ela!". Isso era um símbolo do fogo destruidor. A igreja permanecerá para sempre. Ela nasceu para ser eterna!

III. A SARÇA SEM CONSUMIR-SE, TIPIFICA A IGREJA PLANTADA SOBRE TERRA SANTA 

  1. A Terra Santa deve ser pisada sem sapatos, (v. 5). Moisés tinha o seu calçado sujo pelo seu andar contínuo. O trabalho como um pastor representava uma condição de extrema sujidade que lhe cobria os seus pés. No nosso caminhar diário, muita coisa se apega ao nosso caminhar, que não pode entrar na Sua Presença.

Onde quer que o Senhor esteja e a Sua presença, é Lugar Santo. É por isso Ele exige aos Seus adoradores, Santidade. Deus não permite nenhum tipo de sujidade na Sua Presença. 

Quando lemos a Visão de Vida em Apocalipse, vemos que esse lugar é desprovido de qualquer tipo de pecado. A Presença do Senhor naquele lugar requer dos seus habitantes total santidade. Não é de admirar ver multidões vestidas com túnicas brancas. Quando falamos sobre a presença de Deus, pensamos imediatamente em Santidade. Observemos o seguinte: Quando tomamos a decisão de vir à Casa do Senhor, todos nós sabemos que marcamos um encontro com Ele. Todos os dias o coração enche-se de muitas coisas que devem ser verificadas quando nos aproximamos de Deus. O salmista nos dá uma recomendação de que peçamos ao Senhor que examine o nosso coração quando vimos à Sua Presença, (Salmo 139: 23, 24). Que calçado devemos nós tirar para estar na Sua presença? Como vimos a Ele? 

  1. A face do Senhor, deve produzir temor, (v. 6). Os versículos 2 e 3 nos mostram uma cena que é por demais bela e singular! Uma delas tem a ver com a curiosidade do pastor de ovelhas e a outra com a ação de Deus naquela aproximação entre o humano e o divino, (entre um mortal que será reconhecido como o homem que esteve face a face com o Senhor, o Santo Israel). Moisés, o escritor desta experiência não se lhe escapou nenhum detalhe do que ele experimentou.

Assim temos a revelação que Deus fez de si mesmo a Moisés, e dos dois impactos extraordinários na sua vida. Um deles é que Moisés encontrou Deus, (que é Deus de vivos e não de mortos!) que mencionou Abraão, Isaac e Jacob, o Deus da história que Moisés sabia. E o outro foi o temor que o Deus que chama infundiu no seu coração. Se existe algo que é perdido muitas vezes pelos homens, é o temor de Deus!

Quando Moisés cobriu o seu rosto por temor de olhar para Deus, era um sinal de reverência, de respeito e de um temor que o levava ao quebrantamento.

O temor de Deus deve produzir em nós santidade, sem a qual ninguém verá a sua face! (Hebreus 12:14). Não foi em vão que Jesus morreu pela Sua igreja para que fosse uma Igreja santa. (Efésios 5: 25-30).

IV. A SARÇA SEM CONSUMIR-SE TIPIFICA A IGREJA PROCLAMDO A SUA MENSAGEM DE LIBERTAÇÃO

1. A condição da escravidão desesperante, (v. 7, 9). A escravidão de Israel no Egito, tipifica o estado em que os homens se encontram sem Deus neste mundo, e é descrita por Deus de uma forma muito eloquente. Existem vários verbos que revelam o profundo conhecimento que Deus tinha do Seu povo escravizado.

Deus disse que viu a aflição deles. Isso significa que Ele não era indiferente à sua dor. Depois disse que Ele ouviu o seu clamor pela punição imposta sobre eles pelos seus opressores. Disse que Ele conhecia as suas angústias. Mas também disse que ouviu o clamor do seu lamento que tinha subido à Sua Presença.

Da forma como Deus falou com Moisés sobre o poder da escravidão, revelou que esta é a mesma condição em que vivem as pessoas sem Ele. Esse estado profundo que leva o homem a viver no pecado, é o que deve mover a Igreja a proclamar neste mundo angustiado, a Sua Mensagem de Esperança! A igreja é a "sarça-ardente" que conhece a condição do mundo, e tal como Moisés, é chamada para ir até eles e dar-lhes a Liberdade! Não podemos ser indiferentes às suas necessidades!

  1. A determinação de Deus para os libertar, (v. 8). Deus não viu somente a condição do Seu povo escravizado, mas tomou as medidas concretas para os conduzir à Sua libertação. Moisés sabia do tão terrível estado em que o seu povo vivia. Ele até matou um egípcio que estava a maltratar um israelita, alguém do seu povo.

Quando o Senhor o abordou para ele tirar o Seu povo da escravidão, isso deu-lhe uma grande esperança. Deus estava determinado a cumprir a Sua Promessa de Libertação, e desceu para os libertar dali e trazê-los para a Terra que lhes tinha prometido, onde manava leite e mel!

A proclamação dessa mensagem de libertação através de um arbusto que ardia em chamas sem se consumir, é exactamente uma visão daquilo que a igreja deve fazer para liberar tantos homens que estão igualmente escravizados. Deus ainda está comprometido com a Igreja como esteve com Moisés, e a descer para libertar-nos da mão de Satanás para nos levar para a Canaã espiritual.

CONCLUSÃO: 

Por que razão Deus escolheu a sarça para revelar-se? A sarça é a menos significativa entre as árvores de fruto. A sua estrutura não é boa para madeira, e nisso há simplicidade, há humildade. É símbolo de um lugar sagrado onde Deus pode fazer tudo. Em Juízes 9 encontramos a Parábola de Jotão, onde foi dada a oportunidade da oliveira, da figueira e da vinha reinarem sobre um reino, mas elas se recusaram. Mas quando foi perguntado à sarça, (espinheiro), ela aceitou sem grandes problemas. Deus escolhe sempre as coisas ou as pessoas mais simples na Sua Igreja, para as utilizar. Esta é a essência deste ensino! Deus escolhe o “arbusto”, porque é mais rápido a queimar e pode revelar o Fogo de Deus que não se apaga. 

O Fogo será sempre de Deus! O arbusto tipifica a Igreja. O Senhor anda no meio dela, e portanto deve ser um lugar de Santidade. Os servos devem manter o Seu fogo permanente no altar, e anunciar a Sua Mensagem de Libertação para um mundo escravizado. Como Deus chamou Moisés, Ele também chama hoje os Seus filhos para usá-los poderosamente!

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